Autoria: Luís Leitão
https://eco.sapo.pt/opiniao/o-patrono-d ... r-ao-pais/
O artigo tem um detalhe curioso que podia constar ali na secção de partilha de Carteiras da comunidade:Álvaro Santos Pereira passa a vida a recomendar (e bem) investimentos a longo prazo aos cidadãos mas, na hora da verdade, apresentou-se no banco central com uma carteira longe desse desígnio.
A declaração de interesses que Álvaro Santos Pereira entregou ao Banco Central Europeu (BCE) talvez seja o documento mais inesperadamente pedagógico do ano. Não pelo que ensina, mas pelo que confessa.
O governador do Banco de Portugal, presidente do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF) e fervoroso paladino da literacia financeira, apresentou-se a Frankfurt sem fundos de investimento, sem fundos cotados (conhecidos também como ETF), sem obrigações, sem um Plano Poupança Reforma (PPR), sem depósitos a prazo declaráveis, sem gestão discricionária de carteira.
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VGWE - Vanguard FTSE All-World High Dividend Yield UCITS ETF Acc +18.79%Mário Centeno, que entregou a sua declaração final em dezembro de 2025, exibe uma carteira que parece tirada do livro que falta no PNFF: Vanguard FTSE All-World High Dividend Yield ETF, iShares MSCI ACWI ETF, fundos de obrigações da Morgan Stanley em euros, fundos monetários, um Schroder e um UBS Strategy Fund.
Os legados de cotadas nacionais — Benfica, Galp, Martifer, Navigator, NOS, Pharol, REN — são, repare-se, legacy: vieram de antes do cargo, não foram comprados durante. Mais: as três compras que fez em 2025 foram, todas, ETF e fundos diversificados, executadas num único dia (14 de julho), como se um robo-advisor lhe tivesse passado a fatura. Pode-se discordar de Centeno em muita coisa; em literacia financeira pessoal, ele acaba de dar uma aula sem cobrar. Indolor.
IUSQ - iShares MSCI ACWI UCITS ETF USD (Acc) +16.89%